Há preconceito contra nordestino, há preconceito com o homem negro, há preconceito com analfabeto, mas não há preconceito se um dos três for rico.
Criolo.  (via infertil)
 
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morte-e-chocolate:

Comptine d’un autre été: L’après-midi.

 
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.
 
Falamos da vida, como se vivêssemos. Falamos de amor, como se amássemos. Falamos até da morte, como se tivéssemos morrido. E ainda falamos de nós, como se nos conhecêssemos.
Diego Nunes   (via desfrutar)
 
Me veio a mente todos aqueles momentos miúdos, simples, que faziam-me sorrir. Um sorriso escapou pelo canto dos meus lábios. Sei lá, ah… a vida tinha um doce gostoso, mas eu só mastigava as tristezas. Os sorrisos os encantos, as doçuras. Mastigava-as tão de pressa que mal sentia seu sabor.
Nic. (Prosaico) - trecho de ”Migalhas de felicidade multicolorida”. (via prosaico)
 
Meu Deus! Como é engraçado.
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço.
Uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não embola.
Vira, revira, circula e pronto, está dado o laço.
É assim que é o abraço (…)
Ah, então é assim o amor, a amizade, tudo que é sentimento.
Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas não pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga então se diz: romperam-se os laços.
Então o amor, a amizade são isso.
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.
Mário Quintana. (via regalar)
 

morte-e-chocolate:

Inácio está morto. Eu o matei. Que agora toque a Marcha Fúnebre, que Chopin soe pelos meus ouvidos e pelos ouvidos de quem agora me ler. Inácio está morto, vou chorar… Mas por que hei de chorar se fui eu quem o matei? Oh! Se arrependimento levasse a morte… Estaria eu agora a valsear com meu querido Inácio. Nós dois, mortos e juntos, eternizados numa dança sem passos e compassos, contentes e sozinhos, mortos! Inácio morreu, e eu, sua assassina, ainda permaneço viva – o que me parece injusto. Vejo Inácio passar de lá para cá com seu chapéu-coco e um cigarro nos lábios, cantando blues e atraindo olhares femininos, mas não posso lhe dizer olá e depois um adeus, não posso mais me importar e o importunar. Inácio foi morto, eu o matei, ele agora pertence ao mundo e não mais a mim.

Oh! Pedro desapareceu. Já pensei em por anúncios por aí, citar em jornais, falar em rádios e na tevê, dizer a todos e ao mundo. Meu Pedro sumiu, não tenho mais nenhum. Com quem hei de gritar? Em quem hei de descontar toda minha raiva e frustações? Quem há de me mandar calar a boca e tentar fazê-lo com um beijo? Quem me bagunçará os cabelos quando eu acabar de fazê-los? Quem sujará todos os pratos só para ver-me lavar outra vez? Que tragam logo este ingrato de volta, que o devolvam logo para mim. Preciso gritar com alguém!

Canso-me numa espera gozada. Gargalha bem alto que é para todos ouvirem e juntos formarem uma canção de risos. É a presença que não chega, a ausência que judia. Onde está Henrique? Por que nunca veio? O que há com essa estrada que se estende e o atrasa? Quero meu Henrique aqui. Não sei como é tê-lo, por isso cansa-me ter que imaginar e já não sou tão criativa assim para trazê-lo aqui dessa maneira utópica. Quero Henrique de carne e osso, com erros e acertos, até com cheiros e odores. Simplesmente o quero. Sim, Senhor.

Então, de repente, Inácio ressuscita, Pedro reaparece, Henrique chega.
Os três homens embravecidos se reúnem em minha sala… Que é que eu vou fazer? (SmtR)

 
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